Compostagem: o que é e passo a passo para fazer
Você sabia que o lixo orgânico da sua casa pode ser reaproveitado? Essa prática, chamada de compostagem, transforma resíduos em um adubo natural — e de alta qualidade!
Fazer compostagem contribui para a redução do lixo, promovendo o reaproveitamento de materiais que iriam para aterros sanitários.
Com cada vez mais pessoas buscando alternativas ecológicas, essa prática que pode ser doméstica tem se tornado uma ótima opção para reduzir o impacto ambiental e melhorar a qualidade do solo.
Se você está pensando em se aventurar nesse processo e, de quebra, ajudar o planeta, a gente traz um artigo especial para dizer que compostagem é mais fácil do que se imagina!
O ZAP fez um guia completo para te explicar direitinho como essa prática funciona, os diferentes tipos e dicas de como começar na sua casa.
Acompanhe até o final e boa leitura!
Leia também: Como ter uma horta em casa? Dicas e passo a passo
O que é compostagem?
A compostagem é o processo biológico de decomposição de materiais orgânicos, como restos de alimentos e podas de jardim, por meio da ação de microorganismos (bactérias e fungos) e outros agentes decompositores.
O resultado desse processo é o húmus, um composto rico em nutrientes, utilizado como adubo para plantas e jardins.
Como surgiu essa prática?
É difícil afirmar com precisão quando ela surgiu: mas sabemos que se trata de uma técnica milenar, datada do tempo de agricultores chineses que reciclavam o lixo doméstico para ter seu próprio adubo.
Outras civilizações antigas como os egípcios, gregos e romanos, também utilizavam restos orgânicos para enriquecer o solo.
A técnica moderna, no entanto, foi aprimorada no século XX com o desenvolvimento de métodos científicos que otimizaram o processo de decomposição, tornando a transformação de compostos orgânicos mais eficiente e acessível para uso doméstico e industrial.
Qual a importância da compostagem?
De acordo com dados mais recentes do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil produz anualmente 800 milhões de toneladas de resíduos orgânicos — descarte esse que causa sérios impactos ambientais.
Pense no quanto poderíamos reverter esse cenário com mais pessoas fazendo compostagem?
É justamente sobre isso que fala Leopoldo Matosinho, gestor da loja Morada da Floresta, que comercializa composteiras domésticas e ajuda a tornar essa prática mais acessível.
“A reciclagem de lixo orgânico, além de trazer economia para empresas, pode reaproximar as famílias da terra e do plantio, já que o produto gerado pela compostagem, o húmus, é essencial para o cultivo de plantas e alimentos”, explica Matosinho.
A prática ainda contribui para a redução de resíduos orgânicos nos aterros sanitários, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa como o metano, que é liberado pela decomposição inadequada.
Outro ponto importante sobre a compostagem é como ela estimula a economia circular, uma vez que, por transformar resíduos em recursos, promove um ciclo sustentável de aproveitamento.
Ainda, no ambiente urbano, ela ajuda a conscientizar sobre a gestão de resíduos e o impacto de cada pessoa no meio ambiente, incentivando práticas mais ecológicas e responsáveis.
Como funciona a compostagem?

O processo no geral depende da decomposição dos resíduos orgânicos em condições controladas.
Os resíduos são decompostos em presença de oxigênio por microorganismos que consomem os nutrientes e transformam o material em composto orgânico.
Os principais elementos necessários para essa prática funcionar adequadamente são:
- matéria orgânica: restos de alimentos como cascas de frutas, legumes, borra de café, folhas secas e grama cortada;
- oxigênio: a aeração é fundamental para a decomposição, por isso, é importante revirar o composto periodicamente;
- umidade: o composto precisa estar úmido, mas não encharcado, para favorecer a ação dos microorganismos;
- calor: a decomposição gera calor, e temperaturas adequadas aceleram o processo.
Ainda, a prática funciona em um processo natural de três fases principais:
Fase mesofílica
Essa é a primeira etapa da compostagem, quando os microrganismos mesofílicos, que prosperam em temperaturas mais baixas (cerca de 20°C a 40°C), começam a decompor os materiais orgânicos mais simples, como açúcares e proteínas.
Nesta fase, a temperatura do composto aumenta à medida que os microrganismos consomem a matéria orgânica e geram calor; ela costuma durar cerca de 15 dias.
Fase termofílica
Na fase seguinte, a temperatura pode subir para 50°C a 70°C, permitindo que microrganismos termofílicos, que suportam calor elevado, entrem em ação.
Esses organismos decompõem materiais mais complexos, como celulose e lignina, acelerando a degradação da matéria orgânica; ainda assim, essa é uma fase mais demorada, levando até dois meses.
A alta temperatura dessa fase também ajuda a eliminar patógenos e sementes de ervas daninhas, tornando o composto mais seguro para uso agrícola.
Fase de maturação
Depois da decomposição mais intensa, a temperatura começa a cair, marcando o início da fase de maturação.
Aqui, os microrganismos mesofílicos retornam para finalizar a quebra dos materiais remanescentes, estabilizando o composto em uma etapa que dura também até dois meses.
Durante essa fase, a matéria orgânica se transforma em húmus, que é rico em nutrientes e seguro para ser utilizado como fertilizante natural.
Quais são os tipos de compostagem?
Existem diferentes métodos para realizar essa prática — e a escolha vai depender da quantidade de resíduos gerados, do espaço disponível e do tempo que você deseja dedicar ao processo.
São os principais tipos de compostagem:
- aeróbica, o tipo mais comum, onde a decomposição acontece na presença de oxigênio;
- anaeróbica, onde a decomposição ocorre na ausência de oxigênio, levando mais tempo para gerar o composto;
- vermicompostagem, a mais usada nas residências por ser compacta, e que utiliza minhocas para auxiliar na decomposição dos resíduos orgânicos.
Como fazer compostagem doméstica?

Certo, agora que você sabe mais sobre a prática, como funciona e principais tipos, vamos colocar a mão na massa — ou, melhor dizendo, na terra?
O passo a passo para fazer compostagem em casa é o seguinte:
- escolha um recipiente que possa ser furado para entrada de ar e drenagem, como uma caixa plástica;
- separe os resíduos tendo em mente que:
- resíduos verdes como restos de frutas, vegetais e borra de café são ricos em nitrogênio;
- resíduos marrons como folhas secas, serragem e papel picado são ricos em carbono;
- monte a primeira camada da composteira usando resíduos marrons para ajudar na drenagem;
- em seguida, coloque uma camada de resíduos verdes;
- vá alternando até completar o recipiente, sempre garantindo que a proporção de materiais marrons seja maior que a de verdes.
Depois disso, é só cuidar da aeração; revolva o material a cada semana ou a cada 15 dias para garantir que o oxigênio alcance todas as partes da pilha e favoreça a decomposição uniforme.
Lembre-se de que o composto deve estar úmido como uma esponja torcida — se estiver muito seco, adicione um pouco de água; se estiver muito úmido, acrescente mais material marrom para absorver o excesso de umidade.
Após cerca de 3 a 6 meses, dependendo do método escolhido, o composto estará pronto para ser usado! Ele terá uma aparência de terra solta, com cheiro agradável e natural.
Fatores que podem influenciar no resultado da compostagem
A compostagem doméstica é uma tarefa que demanda cuidados para que possa ser bem-sucedida.
Atente-se para alguns fatores que vão determinar bons resultados na sua prática em casa!
- o nível de umidade deve ser controlado: o ideal é que ela esteja úmida, mas não encharcada;
- a falta de oxigênio pode levar ao apodrecimento anaeróbico, que é mais lento e gera odores desagradáveis;
- materiais cortados ou triturados em pedaços menores têm maior superfície de contato, o que facilita a decomposição;
- temperaturas muito baixas podem retardar o processo, enquanto o calor excessivo pode matar microrganismos úteis: é recomendado sempre se certificar de que a temperatura do recipiente esteja adequada.
No ZAP você encontra o imóvel dos sonhos!
Hoje, você viu que a compostagem doméstica é uma prática ecológica que beneficia tanto o meio ambiente quanto o seu jardim.
Com o uso adequado de materiais orgânicos e seguindo os passos indicados, é possível reduzir o desperdício e produzir um adubo natural de qualidade.
Além disso, é uma atividade que pode envolver toda a família e promover uma maior conscientização ambiental.
Então, que tal começar a composteira hoje mesmo e contribuir para um futuro mais sustentável?
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