Uma decoração sem data
O escritório no meio da sala, onde Ligia fica a maior parte do tempo
A exuberância de Ligia Azevedo, que há cerca de 20 anos é uma das mais bem-sucedidas empresárias da área de saúde e beleza no Brasil, contrasta com seu jeito de morar. O apartamento na Lagoa, onde ela vive sozinha, tem apenas 70 metros quadrados. E não conta com academia particular, spa ou qualquer luxo. O que faz a cabeça da pioneira da aeróbica, hoje em dia, é a praticidade. Decoração, para ela, tem que ser clássica – nada de móveis e objetos datados.
A arca de madeira maciça ganhou uma pátina e se transformou num bar e móvel de TVO projeto, aliás, foi feito há 12 anos, pela amiga e arquiteta Risoleta Medrado. Depois de derrubada a parede da cozinha, integrando o espaço à sala, os ambientes foram decorados privilegiando-se os tons de bege e marrom, quebrados apenas pelos tapetes do tipo passadeira persas e por telas pintadas por Andréa Azevedo, filha de Ligia.
Na casa de Ligia, nada se perde, tudo se transforma. Como a arca de madeira maciça, comprada há anos de uma família tradicional carioca, e transformada em bar e móvel de TV e som, conta a empresária:
– Sou apaixonada por essa arca, mas a Risoleta odiava e sugeriu que fizéssemos uma pátina. Realmente, a pintura deixou o móvel mais delicado, mais de acordo com o tamanho do apartamento.
Mesa de jantar, com tampo de cristal, em formato de célula
A mesa de jantar é outro exemplo de reciclagem: o tampo de cristal, em formato de célula, era de uma mesa de centro de sua antiga casa (de medidas bem mais generosas, no Recreio dos Bandeirantes). A peça ganhou pés de ferro, desenhados pela arquiteta, que acompanham suas curvas sinuosas.
– Para quebrar um pouco a uniformidade do ambiente, escolhemos cadeiras feitas de málaca, junco e couro, materiais mais naturais.
No quarto, a cama tem como mesinhas de cabeceira um baú e uma escrivaninha. O primeiro serve para, ao mesmo tempo, guardar fotografias antigas e apoiar porta-retratos. Já a escrivaninha é, para Ligia, uma relíquia:
– Foi da minha primeira academia, numa época em que eu não tinha nem secretária: eu mesma recebia as mensalidades das alunas e guardava nesse móvel.
A tapeçaria, um dos poucos luxos. Ao lado da cama, a escrivaninha da primeira academia
Atrás da cama, uma tapeçaria de Madeleine Colaço é um dos poucos luxos da empresária.
– Além dessa peça, tenho um carinho especial por duas esculturas: uma Vênus de Milo que ganhei quando fui rainha dos Jogos da Primavera, aos 17 anos, e uma escultura que foi presente de uma ex-aluna, uma chilena chamada Sílvia Freire – conta.
Escultura dada por ex-aluna
A Vênus de Milo: um prêmio